Blue Jasmine

Hoje assisti a um filme interessante: Blue Jasmine, direção de Woody Allen com atriz principal, Cate Blanchett. Sempre achei os filmes de Woody Allen "estranhos" e esse não foge à regra.

A história é de uma mulher, recém separada, "princesa" de contos de fada, que após perder tudo, passa a viver com a irmã, num subúrbio em São Francisco. Até aí, mais do mesmo. Porém, me chamou bastante atenção a construção da personagem e uma característica específica, o papel da vítima sofredora.
A personagem, adotada na infância, muda até o nome, pois nem isso lhe servia. Casada com um vigarista, que a trai com inúmeras mulheres, ela finge "não ver" a sua realidade. O filme mostra diversas 'negações' da personagem, com flashbacks da sua vida ostensiva, e sua tagarelice, típica dos filmes de Woody Allen. E aí, a personagem vai apresentando a sua história. Em meio ao caos de sua nova vida, ela é obrigada a voltar as suas origens. Sem alternativa, vai morar com a irmã, também filha adotiva e passa a viver um paradoxo entre a realidade e a fantasia. Infelizmente, ela escolhe a fantasia. 
Em meio à neurose, beirando a loucura, entre o "ter" e "ser", ela continua na não aceitação de sua condição. Faz uso de álcool e comprimidos para fugir da realidade, fala sem qualquer filtro, para ninguém especificamente ou para qualquer pessoa, inclusive crianças, sobre a sua vida íntima. A irmã é sua sombra, o oposto da sua vida perfeita, sem qualquer nobreza ou perfeição, e se relaciona com um homem que lhe demonstra grande afeto, mesmo sendo rústico e simplório.
Mas, quem de nós nunca fez uso de "artifícios" para fugir de alguma realidade dura demais para ser encarada, em algum momento da vida? Quem de nós não julgou o outro e foi incapaz de olhar para o próprio umbigo? É a autorresponsabilidade que lhe falta e que falta a muitos de nós. Estamos sempre buscando culpados, justificativas, contando historinhas para as mazelas que nos acontecem. Somos, muitas vezes, incapazes de tomarmos as rédeas de nossas vidas, assumirmos nossos atos e as consequências que eles acarretam e esse é o caso de Jasmine, a vítima sofredora.
Quantas realidades cabem numa vida? O que realmente queremos saber sobre nós mesmos?
Um filme intenso, que traz à tona muitos questionamentos e nos mostra o quanto somos seres eternamente desejantes.
Recomendo!


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